sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Diabo veste Forever 21????

Vou contar uma historinha pra vocês. Talvez vocês já a conheçam antes de mim, se for esse o caso vou achar normal, não sou a autora de blog mais antenada do mundo. Fica, então, pra quem não conhece. A blogueira americana Rachel Kane, de 26 anos, sempre foi cliente da rede de fast fashion americana Forever 21. Pelo mesmo motivo que um monte de outras moças compra lá: precinho baixo e alguma informação de moda, já que diversas peças são assumidamente copiadas de estilistas por aí. Rachel foi cliente da loja e da loja online da F21 durante muito tempo e, enquanto isso durou, percebeu que ia ficando difícil de encontrar roupitchas legais da marca. Estas começaram a ficar camufladas nas araras, escondidas atrás de outras que, pelo menos na opinião dela, uma moça dotada de noção jamais usaria.

De brincadeira, então, Rachel criou o WTForever21, blog dedicado principalmente a fazer graça com as atrocidades indumentárias da Forever21, tanto parodiando o site/loja virtual da marca, quanto mostrando as roupitchas bizarras em fotos de sua autoria, tiradas nas visitas feitas a uma filial. Exemplo? No post "Ye Olde Ugly Shorts", ela comparou isso aqui




com isso aqui




e o pior de tudo é que, na minha opinião, a comparação até procede!!!


Justiça seja feita: Rachel não fica apenas metendo o pau na marca. Em alguns (raros) posts, ela também mostra o que tem de legal nas araras e dentre os acessórios vendidos pela Forever21. Sim, no blog ela diz que é cliente deles. Ou pelo menos era, até rolarem as coisas que acabaram rolando. A F21 não curtiu muito a idéia do blog e, mesmo ele já estando há um bom tempo na web, notificou-a para que o tirasse do ar, alegando lesão a direitos autorais. Por outro lado, os advogados que a assistiram entenderam a coisa de forma diferente. A empresa deu à blogueira um prazo para que acabasse com o site e, ao final deste prazo... não fez nada. Issaí. E o site continua lá. Talvez porque, após ter sido intimidada por uma empresa que, convenhamos, é grande, Rachel tenha feito contato com sites relevantes de notícias, que publicaram sua história, e a coisa foi ficando maior. O fato é que, no blog dela, há vários comentários de leitores a favor, defendendo a liberdade de expressão; há também, claro, comentários contrários, na maioria dizendo que Rachel é uma desocupada e não tem o que fazer.

E por que EU me identifiquei???

Conheci a Forever21 em 2007, quando viajei com minha amiga Fê para NYC e San Francisco. Pra nós, mocinhas de 28 e 23 anos, foi uma alegria só entrar na loja, que tinha vários casacos fofinhos, cárdigans bem dignos e baratos, vestidos amigos de quem tem peito (oi!). Fizemos altas compras com nosso pobre rico dinheirinho. Daí sempre que eu viajava, havia uma visita à F21. Até que descurti, sem sequer precisar entrar no mérito de as peças de lá serem descartáveis ou não (tenho roupa da F21 que ferrou na primeira lavagem, e tenho outras que duram desde 2007): como reclamei aqui, achei que a marca mudou, que os tamanhos encolheram, que a noção acabou. Cada vez conseguia comprar menos coisa lá. Na penúltima viagem, minha compra ali resumiu-se a uma sandália e um colar, e na última viagem, a nada - mesmo havendo diversas peças que cabiam no meu orçamento, elas não cabiam era nos meus petchos, mesmo. E nem em ninguém de tamanho normal, sem que parecesse que está usando uma roupa 3 tamanhos menor, parecendo saída do armário da piri-Gretchen.

Não costumo gostar de blogs que só metem o pau nas coisas, sem propor soluções, sabem? Mas achei que o negócio da Rachel era outro: senso de humor. Paródia. E nem eu nem ninguém somos obrigados a concordar com o gosto dela sobre tudo, quem visitar o blog vai se surpreender por encontrar algumas peças que ela acha uó, mas que a leitora até que curte. Normal. Achei gozado também notar que muita coisa que ela acha feia e eu também tá presente não em um, mas em vários looks do dia por aí. O que seria normal também, descontada a uniformização pela qual a galera anda passando.

Penso que há vários motivos pelos quais esse blog vale uma visitinha: você pode ir lá pra refletir sobre gosto, sobre moda, sobre uniformização, sobre liberdade de expressão... ou pode ir pra dar risada - foi o que eu fiz - porque o conjunto de textos e fotos é engraçado, ainda mais pra quem já pisou numa Forever 21. Quem não pisou pode visitar também: vai perceber que não tá perdendo tanta coisa assim...

E pra quem quiser mais detalhes sobre a Rachel Kane, a Forbes conta. E obrigada à Beinha, por ter me mostrado o WTForever21!!!


17 comentários:

  1. Olha, sem entrar no mérito sobre se a qualidade caiu, ou se realmente tá impossível achar algo bonito lá (não conheço, nunca entrei em uma), dá pra fazer um blog desse com QUALQUER marca de roupa... se a gente fuçar, sempre vai ter peças WTF nas coleções. A não ser que seja uma grife super caretinha assim, que não arrisca.

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  2. Concordo quando você diz que as pessoas estão sofrendo uma uniformização! Mas talvez seja para pessoas que não tem uma identificação com o seu gosto, seu corpo e com as informações. Sou consumidora de uma grande loja de departamentos e acredito que tenha a minha identidade na hora da compra. As meninas. como brinco estão sendo produzidas em série, como se fossem Barbies. A mesma cor de cabelo, o mesmo corte liso, o quarda-roupa se resume as mesmas peças.. Quem tem o poder de comunicação, e nesse caso os blogs, tem como meta fazer com essas meninas identifiquem o que fica melhor para si, não o que todo mundo usa. Passamos a era da ditadura e a liberdade está ai aos 4 ventos.

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  3. E a Rachel pôs um link pro Vende na Farmácia? no blog dela (em June 6th 2011)...hehehehe. Menina antenada.

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  4. É Paula, acho que realmente você nunca esteve na Forever 21. E tudo o que todo mundo faz é possível de ser feito, por isso que alguém faz. Mas nem todo mundo faz alguma coisa produtiva.

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  5. Oi!

    Sei que já faz um tempão que vc postou sobre o assunto de estranheza com a loja virtual da melissa, que pediu a confirmação de compra, mas resolvi comentar, mais para um esclarecimento geral e ver se eu ajudava em algo.

    Eu já trabalhei em uma loja virtual de um grupo de loja de calçados do Rio de Janeiro, e já passei esse e-mail para muitas clientes.

    O que acontece...

    Quando a empresa utiliza diretamente os serviços de cartão de crédito (sem usar empresas terceiras, por exemplo: pagseguro), o software online tem um "analista" virtual (como se fosse um anti-virus, em explicação "porca")... e existem alguns status do cartão: risco baixo, risco médio e risco alto.

    Essa mensagem é enviada quando o cartão aponta risco alto, e pode ser por vários motivos, que vão de os mais simples até os mais complexos: data de fechamento da fatura próxima, limite do cartão de crédito próximo de "estourar", muitas compras feitas no período, muito tempo sem uso do cartão e o uso repentino com uma compra de valor mais alto, cartão com histórico de financiamentos das faturas, cartões com alto índice de inadimplencia nos ultimos meses, até chegar à clonagem do cartão. E é uma lista bem vasta, viu? Só listei os mais comuns.

    Como a clonagem do cartão é o maior risco, tanto para o dono do cartão, quanto para a empresa vendedora, pede-se a confirmação dos dados, pois se o risco alto apontado for pelos outros motivos, a compra normalmente é aceita... afinal, a loja não tem nada a ver com seus problemas particulares de pagamento (ou não) das contas.

    Não se divulga isso, porque NORMALMENTE as pessoas entendem que as compras são selecionadas, e que isso é escolher quem pode comprar, etc etc etc... Mas NÃO é... é uma medida de segurança para todos. Normalmente, se o risco alto apontado for por uma data próxima do fechamento da fatura, ou ainda financiamento, etc, a loja não irá cancelar a compra. O problema todo é que os softwares ainda são desenvolvidos de modo que estes problemas tenham um peso igual ao da clonagem, por isso a verificação. Fazendo a verificação, e concluindo que não é uma fraude, a compra é liberada normalmente!

    Na época em que trabalhei nesta empresa, houve alguns casos em que solicitamos a confirmação da compra, e realmente era fraude, era um cartão roubado. Acionamos a empresa de cartão de crédito, que protegeu a conta da pessoa dona do cartão de verdade.

    Com essa mega mensagem, espero ter ajudado de alguma forma! :)

    beijos!

    ps: adoro o blog!

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  6. Beinha, não entendi o comentário hostil.

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  7. Paula, eu concordo em parte com você. Digo em parte porque, sim, DÁ pra fazer isso com catálogo de qualquer marca. O que eu acho que acontece no caso específico da F21 (e pelo que entendi, a blogueira Rachel acha a mesma coisa) é que a quantidade e incidência de "peças WTF" (curti o termo!) cresceu assustadoramente num espaço de tempo meio curto. Na primeira vez em que eu entrei nessa loja, nem acreditei que vi tanta coisa fofa por preços tão baratos. Nas últimas vezes não consegui comprar nada. Claro, eu fiquei mais "madura" (velha, hahaha), mas também não vi nada que levaria de presente pra minha prima de 22 anos, por exemplo. Isso pode ter acontecido porque a marca cresceu rápido, sei lá. Mas que rolou, rolou!

    Tatiana, isso que você falou é super importante. Lembrei do caso clássico do oxford, sapatinho da moda, que EU não gosto e não uso nem a pau, não importa qual a it blogueira que diga que é legal. Acho feio e pronto, e além do quê, como tenho as canelas grossas, usar sapato fechado com perna de fora sempre fica meio esquisito, por isso eu prefiro sapatilhas (mas recentemente vi num blog, ACHO que no HVAOff, a foto de uma menina de oxford com meias, e achei usável). É o que você disse: o MEU gosto, a MINHA identidade. Quem, como você e como eu, conseguiu definir a própria identidade, tem sorte, porque não é uma coisa muito fácil. Vou ter uma filha e fico pensando na coitadinha lidando, daqui a uns anos, com o monte de informação que vai chegar pra ela ao mesmo tempo. É de pirar!

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  8. JC, a Rachel deve ter algum sistema de rastreamento do que falam dela ou do blog internet afora (meu marido usa uma ferramenta do Google pra procurar sites sobre a banda dele, quando alguém publica algo, o Google avisa). Achei bacana, o que ficou meio estranho foi que meu post é de hoje e o post dela é de um mês atrás, vai ver porque ela está reunindo tudo o que falam sobre ela em um só post.

    Be, eu expliquei pra Paula por que eu acho que a F21 foi o "alvo" da blogueira, e não a Zara, a Mango, ou alguma outra fast fashion. Eu acho, sim, que o negócio da F21 é produzir e vender loucamente, daí vai ver que nem sempre "detalhes" como corte, caimento, estampas, qualidade são considerados. E eu acho sim que no passado isso era um pouco diferente!

    Girls Republik, não me entenda mal, porque eu super agradeço seu comentário e o trabalhão e boa vontade que você teve pra escrevê-lo aqui. Mas ninguém vai me convencer de que essa prática é pra ME proteger. Porque todos os fatores de risco que vc citou (meu cartão não se enquadra em nenhum deles, inclusive) protegem A EMPRESA, e não o consumidor. Mesmo que eu fosse uma estelionatária safada, poderia muito bem fazer uma compra em uma loja física com um cartão clonado sem que ninguém pedisse nenhum documento PARTICULAR pra mim, não é? A prova é que, dias depois, peguei o mesmo cartão, fui até a Fast Shop, comprei um fogão em UMA parcela e não me pediram nem RG. Hoje estamos ambos contentes: eu com meu fogão e a Fast Shop com seu dinheiro. As mesmíssimas Melissas, fui a uma loja física e comprei, sem ter que apresentar um dossiê sobre mim. Aliás, o fato de se saber se o cartão é clonado é importante para o dono do cartão, sim, mas igualmente importante para a empresa - afinal, se o cliente contesta a dívida, afirmando que não foi ele que a contraiu mas sim um "clone", a empresa corre o risco de nunca receber por aquelas mercadorias, ou pelo menos não sem arrumar uma puta briga com a operadora de crédito. Não, desculpa, a loja Melissa estava SE protegendo, e não a mim. Quanto a não ser verdade que a empresa, utilizando esta política, está "escolhendo pra quem vender", discordo outra vez, e acho que qualquer juiz também discordaria. Cada um paga suas contas, financia seu cartão, vive no vermelho como bem entender, e entidades de proteção ao crédito estão aí pra resguardar os comerciantes. Entendo que quem abre um negócio está assumindo riscos e precisa se proteger de alguma forma, mas me tratar que nem boba não rola. Sabe o que eu acho que ajudaria? Uma ressalva no site, tal como "cartão sujeito a aprovação cadastral", ou uma explicação do que pode ou não acontecer quando o cliente tenta fazer a compra. Assim o cliente opta por comprar ou não ANTES de ter o transtorno. No meu caso, eu optei por nunca jamais comprar na Loja Melissa, por essas razões aí. Mas mesmo a gente discordando, de novo, agradeço pelas suas palavras e pela visita!

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  9. Paula,
    A ideia do WTForever21 é justamente mostrar que, uma loja bacana com coleções que sempre foram legais, baratas e que atendiam desde as meninas de 14 quanto as mulheres de 30+, perdeu completamente essa identidade e hoje, ao invés de "se a gente fuçar, sempre vai ter peças WTF nas coleções", virou "se a gente fuçar, talvez encontre peças bacanas nas coleções". Por isto meu comentário de que você certamente não frequenta a F21. Talvez agora, mais explicado, você veja que meu comentário não foi hostil, e sim uma constatação de que talvez você não esteja vendo o que a F21 se tornou nos últimos 2 anos, afinal a moça não está garimpando as peças WTF e sim o contrário!
    Não magoa não, não sou hostil e me desculpe se meu comentário te caiu mal. :) p.s. eu adoro a F21 mesmo que leve 2 horas pra comprar 3 peças NotWTF.

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  10. Sem querer ser chata, mas a moça do WTForever21 não me parece assim, a mais aberta em relação a moda. Eu fui fuçar no site e tem muitas coisas que ela satiriza que bem, estão em alta em vários lugares (sem entrar no mérito de se são legais mesmo ou se são horrendos). Até itens que sim, estão voltando de outra década e ela satiriza como ultrapassado. Daí não faz sentido satirizar a Forever 21 por oferecer esses itens, mas sim a indústria da moda, ou então que ela simplesmente falasse que ela não curte. Embora realmente tenha umas coisas WTF no blog dela eu achei que a maior parte é "eu não gosto disso, então é ridículo que alguém venda". Lojas costumam oferecer os itens da moda, por mais bisonhos que eles sejam (e sim, eu acho muitos deles esquisitos). Só uma opinião, de que a moça do tal blog deve ser meio sem graça no seu vestir (nunca vi a moça), ou no mínimo bastante fechada às opções. Mas enfim, apoio a liberdade de ela postar o que quiser sobre a marca na rede e a indignação (todo mundo odeia quando uma loja do coração passa a oferecer itens muito diferentes do que costumava).

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  11. Acho legal esse tipo de posicionamento, porque foge do que a maioria faz que é simplismente aceitar a moda e dizer que coisas rídiculas são lindas só porque tem uma etiqueta chic, mas não deixo de tirar a razão da marca em tentar tirar o site do ar, ela faz isso só com o nome deles podia tentar falar de outros concorrentes pra não ficar muito apelativo

    www.saiadesalto.blogspot.com

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  12. Paolla, então, mas o blog é DELA, né? Claro que ela vai der a opinião dela, coisas estarem "em alta" ou não nem significa que qualquer um tenha que gostar. Como citei o exemplo dos oxfords, EU acho feio, acho que é sapato do Bozo, mas minha mãe por exemplo adora e tem vários. É que também tem outra coisa, eu e a Loo começamos a blogar numa época (2000) em que não havia estes blogs tipo "revista", não havia "probloggers", não havia essas coisas de resenha, a maioria dos blogs era um misto de diário com o que o autor quisesse, eu volta e meia escrevia das minhas visitas a lojas de departamentos, enfim, era divertidíssimo e super sem compromisso. Por isso eu não acho estranho uma pessoa dar a opinião dela mesmo que ninguém concorde (no caso dela, aliás, achei que muita gente concorda).

    Fernanda, talvez se eu fosse o dono da marca, também tomasse providências, mas como o sistema legal nos Estados Unidos é bem diferente do daqui, eu não sei o quão amparados eles estão ou não. Até agora, pelo que entendi, não aconteceu nada!

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  13. Beinha, por isso comecei meu comentário com "sem entrar no mérito sobre se a qualidade caiu, ou se realmente tá impossível achar algo bonito lá". Não quis criticar o blog da menina, achei a ideia até bem interessante.

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  14. O problema que eu vejo aí é que o blog É sobre isso, dificuldade de achar algo bonito lá... antes era só entrar e bater o olho, agora tá mais difícil. Claro que é uma futilidade mas, se for analisar sob esse prisma, todos os blogs de moda/beleza o são (inclusive este! rs)

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  15. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  16. Isso acontece em várias lojas de departamento. Super normal. Mas acho interessante ela pegar as peças mais bizarras (na opinião dela) e fazer o blog. Dá um tom de humor.
    :*

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